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PNEUS OTR 29
EDIÇÃO 71 - MAR 2011 - Katia Siqueira
Pneus OTR recapados
Uma alternativa confiável e lucrativa
A recauchutagem, a recapagem ou a reconstrução de pneus fora-de-estrada consiste em aproveitar a estrutura resistente do pneu gasto (liso). No entanto, a estrutura deve estar em boas condições de conservação para poder receber uma nova banda de rodagem de forma que ganhe uma nova vida.

Com esta operação, o pneu mantém basicamente as mesmas características técnicas e de comportamento do pneu original. E o melhor, com custos muito inferiores. A recauchutagem, considerada um procedimento ecológico, aumenta a vida útil do pneu em 40%, economiza 80% de energia e de matéria prima em relação à produção de pneus novos.

Para falar um pouco sobre o assunto, a redação da Revista Pnews ouviu os representantes de duas empresas que atuam na área de reforma de pneus OTR (fora-de-estrada): a Pneusul e a Terra Preta.

 

Histórico
No Brasil, iniciou-se a reforma de pneus OTR no início da década de 50 com o processo inglês Vacuum-lug em autoclaves. A maior dificuldade para reformar um pneu desse tipo são as avarias acidentais ou danos causados pela má utilização ou deficiência na manutenção dos pneus.

O processo de reforma adotado para os pneus rodoviários no Brasil tem uma predominância de cerca de 80% para o processo de bandas pré-moldadas, enquanto que os pneus OTR utilizam em sua grande maioria o processo de vulcanização a quente, em matrizes (moldes) tanto para radiais como para diagonais.

Em média, é possível se fazer três reformas em pneus OTR, mas há casos de se chegar a seis reformas na mesma carcaça. Isso varia em função do seu estado geral, grau de severidade na utilização, fadiga dos componentes, avarias acidentais e manutenção adequada. Dependendo do gerenciamento do cliente com os seus pneus, a carcaça pode ser reformada até cinco vezes. Depois de reformado, o pneu pode rodar tanto quanto um novo.


Reformando com sucesso
De acordo com as empresas que atuam no setor de reforma de pneus OTR, controlar o uso de pneus para máquinas pesadas de construção e mineração, constitui um dos principais desafios para os usuários de equipamentos fora-de-estrada, como carregadeiras e máquinas de terraplanagem. Afinal, o pneu OTR está entre os três principais itens na cesta de custos operacionais da máquina, superado apenas por combustíveis e mão-de-obra.

Os pneumáticos de terraplanagem são aqueles utilizados nos mais árduos trabalhos de edificação de obras públicas, mineração, construção, exploração florestal e outros serviços, isto é, pneus que deixam suas marcas nos locais onde montanhas são removidas.

Além dos pneus agrícolas, existem também pneus de caminhões e mesmo de automóveis e camionetas que se denominam fora-de-estrada, foram desenhados para operar, pelo menos temporariamente, fora das rodovias.
Os veículos aos quais se destina esse pneu são mais lentos e operam sob circunstâncias e em terrenos extremamente difíceis, se comparados com as rodovias.

As cargas que os pneus de terraplanagem devem suportar, geralmente são muito superiores àquelas dos transportes rodoviários. Os pneus para máquinas de terraplanagem devem ter, entre outras características especiais para flutuação, tração, capacidade de carga, velocidade e temperatura, a fim de enfrentarem as mais árduas condições de operação.

Cada uma das partes que compõem estes pneus, tais como talões, carcaça, paredes laterais e a banda de rolagem, são construídas em função das exigências do trabalho a que serão submetidas. Devido à sua construção compacta, os pneus de terraplanagem têm os seus limites operacionais que não devem jamais ser ultrapassados. Velocidades além das recomendadas reduzem seriamente a sua vida útil e podem produzir falhas prematuras nestes pneus que foram desenhados para suportar cargas pesadas, sempre num regime de operação com velocidades reduzidas.

Com sede em São Lourenço (MG) e filiais em Itajubá (MG) e Carmo de Minas (MG), a Pneusul foi fundada em 1975 e nestes longos anos tornou-se uma especialista no ramo da recauchutagem de pneus para veículos comerciais (carga) e fora-de-estrada (agrícola e terraplanagem).

“Representando os produtos Goodyear, a empresa não poupa investimentos e treinamento de sua equipe para assegurar a qualidade dos trabalhos executados. Utilizamos máquinas especializadas, computadorizadas e matéria prima da mais alta confiabilidade”, assegura Gustavo Claret Lopes Guimarães, sócio proprietário da Pneusul Ltda.

“Graças à qualidade das matérias primas que utilizamos nas reformas dos pneus (camelback, laminados, solventes, cola, etc.), nossos clientes conseguem economizar em média 50% do valor que gastariam se optassem por uma pneu OTR novo”, diz Guimarães.

Com 80 funcionários e capacidade para reformar em média 1.500 pneus (carga, agrícola e máquinas) por mês, a Pneusul está instalada em uma área de 20 mil m², sendo que a área construída ocupa 4.000 m².

Ele conta que, atualmente quase todas as empresas utilizam pneus reformados. Essa preferência se deve à grande economia, que o sistema oferece e pela qualidade do serviço. “Muitas vezes, um pneu OTR recauchutado ou recapado tem a durabilidade de um novo”, assegura.


Vasta experiência em OTR
A empresa Terra Preta Pneus, tem apenas sete anos de atividades, mas uma vasta experiência em recapagem de pneus fora-de-estrada. O mercado de recapagem de pneus OTR é imenso, mas poucas são as empresas com know how para atuar na área e oferecer produtos de qualidade. “Tratam-se de pneus caros, ou seja, produtos de alto valor agregado, que os clientes exigem qualidade e funcionamento perfeitos”, explica Ademir Serafim (Nenê), diretor presidente da empresa.

Segundo seu diretor, a empresa Terra Preta é certificada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) no Sistema de Gestão da Qualidade ISO 9001:2008 para o serviço de reforma de pneus de carga a frio e a quente destinados a caminhões e seus rebocados, ônibus, micro-ônibus, caminhões leves e seus rebocados e OTR, agrícola (fora-de-estrada).

Segundo Nenê, o pneu OTR pelo seu porte necessita de cuidados bastante específicos. “Os funcionários precisam ser muito treinados porque vão manipular produtos enormes e pesados, que equiparão máquinas especiais, como pás carregadeiras, para manipulação de brita, rochas, tratores, etc.”, acentua.

Todo pneu OTR, principalmente aqueles que vão atuar no segmento agrícola, precisa de camelback com matéria prima específica que é indicada para trabalhos em mineração, estradas de terra, entre outros. “O engenheiro que adquirir o produto precisa de um ótimo pós-venda porque seu equipamento custa muito, principalmente se ficar parado. Dependendo do uso do pneu, ele poderá passar por até seis reformas”, assegura.

Os pneus OTR equipam máquinas caras que podem custar até US$ 50 mil. São caminhões gigantes, que transportam até 400 toneladas de minério.

O critério na execução da recapagem é muito importante. Nem sempre o que o cliente pede, pode ser feito. A Terra Preta tem pessoal e conhecimento técnico para avaliar corretamente a carcaça.

Para atuar neste mercado, explica Nenê, a empresa precisa, antes de mais nada, ter um corpo técnico conhecedor daquilo que está sendo ofertado para reforma e saber se possui o equipamento (matrizes especiais) que tenha condições de fazer um produto de boa qualidade.

Não bastasse, a linha de produção precisa estar equipada de ponte rolante para movimentar pneus de até dois mil quilos. “Os investimentos no parque industrial de uma reformadora de pneus OTR é altíssimo porque a linha de montagem precisa estar adaptada para operar com pneus gigantes, que trabalham em grandes mineradoras, em usinas de cana de açúcar, etc.

Os pneus para as máquinas de terraplanagem são peças de alto valor, concebidas para assegurar o bom funcionamento dos veículos para os quais se destinam, proporcionando desta maneira, um menor custo por quilômetro. São pneus diferentes, que necessitam, portanto, de cuidados também diferentes.

Esse tipo de pneu representa um grande investimento de capital e uma das maiores despesas a serem computadas nos custos operacionais. Existem inúmeros fatores que influenciam na sua vida útil. A aplicação correta desses fatores proporcionará milhares de horas extras de serviço e reduzirá o custo operacional, evitando paralisações desnecessárias do equipamento.

 
 
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