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É a hora de todos se entenderem

Governo Federal, estados e municípios precisam organizar ações de isolamento contra coronavírus


O setor de transporte é fundamental para que o País continue a manter o abastecimento de lares, dos insumos de saúde, alimentos, combustíveis, etc. E por isso está na lista dos setores essenciais que não podem parar, bem como toda a sua cadeia de fornecimento.

 

Por meio de decreto, o governo federal já teve este entendimento. Entretanto, a  decisão de alguns governadores está em desacordo com decisão federal e se não houver entre os estados um alinhamento sobre a restrição de trânsito e transporte nas estradas brasileiras, o país corre o risco de sofrer com um desabastecimento em poucos dias.

 

Foi esta análise que a presidente da Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR), Margareth Buzetti, fez em relação às medidas restritivas que estão sendo tomadas pelos estados, e o constante recuo e indecisões do governo federal, em matéria publicada no Portal Mato Grosso.

 

Segundo ela, alguns estados e municípios estão tomando medidas extremas que poderão comprometer o abastecimento do País. “É preciso haver coerência e cautela nas decisões sobre os serviços e atividades profissionais que devem funcionar neste período. Os decretos estão mantendo serviços essenciais, mas estes serviços também podem necessitar de outras atividades profissionais para sua manutenção que podem estar restritas”, complementa.

 

A presidente aponta que é preciso manter um mínimo de atendimento aos trabalhadores que continuarão na ativa, como transporte. Já para os caminhoneiros é necessário manter toda a rede de apoio ao longo das rodovias, como reformadoras, borracharias, oficinas, restaurantes e lanchonetes, pousadas e hotéis, “senão daqui a pouco eles poderão não ter mais como trabalhar. Temos que lembrar que, enquanto estamos em casa em isolamento e protegidos, uma gama de trabalhadores está lá fora, na ativa, correndo riscos”. No Brasil, aproximadamente 60% do transporte de cargas é feito pelas rodovias.

 

Santa Catarina, por exemplo, inicialmente tomou medidas consideradas drásticas, mas recuou devido ao risco de ficar sem produtos básicos neste momento de crise. Outro exemplo é Cuiabá, onde o prefeito, num primeiro momento proibiu a circulação total do transporte coletivo, esquecendo que os trabalhadores, não só da saúde, mas de supermercados, farmácias e postos de combustíveis, entre outros, também são usuários do transporte público. Posteriormente, após críticas e protestos, o prefeito também reviu a sua decisão.

 

Buzetti, que é empresária do setor de reforma de pneus, dá como exemplo seu próprio negócio, que, pelo decreto federal 10.282, é considerado essencial e deve continuar funcionando. No entanto, não foi contemplado pelo decreto da prefeitura de Cuiabá em relação às medidas de enfretamento à pandemia. O decreto municipal prevê apenas “borracharias e oficinas de manutenção e reparos mecânicos de veículos automotores, excetuadas as oficinas de lanternagem e pintura”. “Mas a reforma de pneus não é uma borracharia. É muito diferente, uma borracharia não reforma pneus”, comenta.

 

No dia 20 de março, a ABR encaminhou ao Ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, um ofício em que ressalta a preocupação com o momento atual do País e a manutenção de serviços essenciais para garantir o abastecimento nacional. O ofício destaca que o funcionamento de toda a cadeia de serviços que dá suporte ao setor de transportes no Brasil, incluindo a reforma de pneus, é essencial.

 

A presidente da ABR e da Associação das Empresas do Distrito Industrial (AEDIC) critica a falta de entendimento político neste momento crítico para o Brasil e o mundo. “Prefeitos, governadores e presidente Jair Bolsonaro deixem a política de lado e vamos cuidar do povo e da economia”, conclama Buzetti.

 

Fonte: Portal Mato-Grosso



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